Caramba! Será que não tem como
converter para milhas? Esses gringos é que são espertos. 26.2 soa bem mais fácil de enfrentar...
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Years too, please... |
Ah, não... Você não achou que eu iria comemorar meu aniversário de 42 anos correndo 42 km, né? Além de inviável em pleno dia de semana (em que eu trabalhei feito doido, aliás) e fora da planilha de treinamento para a ultramaratona, seria clichê demais. Gosto de desafios, mas não de obviedades.
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Esse NÃO É meu super-herói favorito |
Mas é óbvio também que a data também não passaria em branco em termos esportivos. Se não pudessem ser 42 km, que fossem (mais ou menos) 42 minutos, então. A Janete tramou, o Diretor Edward lançou a ideia e o evento, a Marlene reforçou o convite na página da equipe no Facebook, eu, como de costume, bolei o percurso... E, na hora combinada, sete da noite, os amigos estavam aqui, em frente ao meu prédio, para um treininho pré-celebração (e comilança, claro!).
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Valentes companheiros |
Aguardamos uns vinte minutinhos, apesar da garoa fina que certamente espantou alguns, para ver se aparecia mais alguém. E fomos, todos juntos, dar um
abraço simbólico no meu bairro. Não nasci no Jardim Satélite, mas vim para cá aos dois anos de idade, no tempo em que ele ainda era
em preto-e-branco... E aqui passei quase toda a minha vida, afora alguns anos em que morei no bairro vizinho, dois quilômetros à frente apenas. Aqui está quase toda a minha história. Abraçá-lo é quase como abraçar a mim mesmo.
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Esse é o meu lugar |
Reconheço que botei a galera numa fria... O Satélite certamente não é o melhor
point de corrida da cidade. Suas principais avenidas, mesmo largas, são movimentadas demais. Seus motoristas não são propriamente lordes ingleses. E, principalmente, sua topografia não é das mais propícias para a prática do esporte, a não ser que você seja uma lhama. Trechos planos, até há. Mas tente montar um trajeto
flat por aqui. Ele provavelmente vai ser bem curtinho. Ou em vaivém. Ou ziguezague.
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Flagrante de um corredor do Satélite dando uma pausinha no treino |
Começamos pela rua do mirante. Fosse de dia, o visual seria mais bonito. Ricardo Mourão e Fábio Siqueira dispararam à frente, fazendo papel de
coelhos para a tropa. Na companhia do
montanhês Wilson, hoje à meia velocidade, fiquei bem mais para trás. Se fosse para seguirmos fielmente o contorno do bairro, uma chegadinha até as suas partes baixas seria necessária. Mas aí, certamente eu seria suspenso do cargo de montador de caminhos por um bom tempo...
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Espia só do que eu estou falando... O prédio verde NÃO fica no topo |
Viramos então para o outro lado, o da Avenida Iguape,
divisa do Satélite com o Bosque dos Eucaliptos. E tome um retão de um quilômetro e pouco, com mais trezentos metros de descida pela Rua Estrela D'Alva. Trinta metros de desnível negativo. Seria, claro, a melhor média de velocidade do dia. Descida faz a gente
se sentir corredor.
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Disso eu gosto |
E tem chovido, hein? Nessa noite, até que ela nem atrapalhou tanto. Mas a de sábado foi forte. A ponto de fazer parte da Rua Lira, vítima costumeira disso, desabar córrego Senhorinha abaixo. Anos passam, prefeitos entram, prefeitos saem. E o problema não se resolve. O bairro ficou sem água o dia inteiro. E o trânsito foi interditado na Avenida Guadalupe, via principal de acesso aos outros bairros da região sul, desde então. Para o treino, até que foi bom, um cruzamento a menos. Para a fluidez do tráfego, um verdadeiro desastre.
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Tá feia a coisa... |
Passamos batido pelas obras (ou escombros) e seguimos pela rua que margeia grande parte do bairro. Para alegria do meu ilustre parceiro de treino, nada menos que o terceiro colocado geral no Campeonato Paulista de Corridas de Montanha em 2012, enfim encarando algumas subidinhas. A primeira, ao lado da praça e a segunda, logo depois, na escolinha infantil, não deram nem para esquentar. Mas da terceira, tenho certeza de que ele gostou. Tanto que voltou para "resgatar" a turma que vinha depois, só para ter o gostinho de escalar duas vezes.
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Pra cabrito montês nenhum botar defeito |
Cruzamos as duas principais avenidas do bairro, Andrômeda e Cidade Jardim. E descemos até a Mario Covas, ligação da região central com as rodovias dos Tamoios e Carvalho Pinto. Cenário inclusive das etapas do Circuito Superação, no ano passado (e nesse, será?). Bom lugar para correr. Principalmente quando fechada para os carros, como nas corridas. Com eles, perigosa em alguns pontos. Mas já foi pior, antes do viaduto e da iluminação.
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Quando o viaduto era um desenho e os postes, nem isso, era complicado... |
Agora na companhia do
brother Aldo e do compadre Luis Carlos, terminaria o treino apresentando aos amigos o meu paredão. Lugar onde terminam muitos dos meus treinos longos solo, algumas vezes
escalacorrendo até o fim, outras, mais cansado, só na base da caminhada mesmo. Com requintes de crueldade, em dois tempos, parte na Rua Antônio Aleixo, parte na Avenida Papa João Paulo I. Já perdi um motor 1.0 nessa rampa.
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Começa aqui... E parece que nunca termina |
Completada a missão em 44 minutos (a pirambeira impediu o
número mágico) e reunido novamente todo o grupo, hora de festejar. Festa mesmo não foi, a verba anda curta e não permite extravagâncias. Mas cada um, solidariamente, trouxe um pouquinho e ficou com cara de uma. Tanta coisa gostosa, que eu vou ter que correr o ano inteiro para queimar. Uma cervejinha gelada, porque eu sou atleta (amador), mas não sou
xiita. E tanta gente bacana, inclusive os que fugiram do treino (coisa feia!), que deu gosto de ver e estar ao lado. Se quem tem um amigo, tem um tesouro, eu só posso dar graças por tanta
riqueza. E passar o resto da minha vida tentando ser e fazer o melhor possível, para ser digno disso.
Muito obrigado a todos (aos que estiveram comigo nesse dia ou não), por
TUDO.
Link no Garmin Connect:
http://connect.garmin.com/activity/289351820
Resumo do treino: