Sua cidade aí, cheia de lugares bonitos e diferentes para você conhecer... E você correndo sempre nos mesmos.
Eu não, violão! Se me dá na telha ir fazer um treininho do outro lado da cidade, num lugar em que já passei, mas só de carro; ou nem isso, que vi na TV ou ouvi alguém falar, simplesmente vou lá e faço. Isso já me levou até a invadir (sem querer, claro) áreas particulares e correr o risco de levar um tiro de sal nos fundilhos. Antes isso que a monotonia. Correr todo dia no mesmo lugar, disse outro dia desses nas redes sociais, é quase como ir a um
rodízio de chuchu...
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Vai que é sua, Taffarel!!! |
E quer saber do melhor? Descobri que faço parte de uma patota que pensa exatamente como eu. Se os nossos treinos coletivos de quarta-feira à noite já eram bacanas quando aconteciam em percursos variados, mas tendo sempre como "base" um local fixo (os parques Santos Dumont ou Vicentina Aranha, escolhidos estrategicamente por estarem na região central, equidistantes, ou quase isso, para todos), passaram a ser verdadeiras
festas desde que, em novembro último, o Tonicão, um dos nossos integrantes mais empolgados, sugeriu que passássemos a variar também os cenários.
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Tonico, o mito |
Parecia que não era nada demais, mas foi uma verdadeira
revolução. Não temos vaidades, não contamos participantes para depois ficarmos nos vangloriando de reunir "x" ou "y" corredores e anunciando termos feito "o maior treino da história da cidade" (o que quer que isso signifique). Treinar entre amigos é sempre um prazer e um privilégio, sejam dois, vinte, duzentos ou dois mil os presentes. Mas que é bonito demais ver cada vez mais gente reunida, irmanada pelo amor a esse esporte fascinante que a corrida é, nessa mesma
vibe dos malucos do asfalto... Ah, isso é!
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Se vier todo mundo, fantástico; se aparecer só mais um, já é coletivo também |
E já que estava todo mundo
antenado com esses propósitos, nada melhor que fazer um percurso totalmente diferente daqueles a que estamos acostumados. Nos pontos mais altos das regiões urbanas, as emissoras de rádio e televisão costumam colocar suas antenas transmissoras. É sempre bonito ver aquelas verdadeiras
torres Eiffel iluminadas, lá longe, enfeitando a noite. Mas pensar "será que dá pra chegar lá correndo?" é meio coisa de maluco... É coisa nossa!
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Uma cidade aos seus pés |
Talvez nem fosse o momento ideal, a apenas quatro dias de um grande desafio: a Volta ao Cristo de Poços de Caldas, velho
sonho de consumo, que enfrentarei pela primeira vez neste domingo. Talvez seja consciência pesada por não ter feito praticamente nenhum treino específico para ela, que não a prova em Paraisópolis no domingo anterior. Mas bolei o tal treino da "Subida ao Morro da Antena". A galera topou. E a coisa toda saiu do Facebook para virar mais uma boa realização. Às sete da noite (ou tarde), estávamos reunidos na Avenida Anchieta, orla do
Banhado, cartão postal joseense. Todos prontos para um
estirão de seis quilômetros (e mais seis de volta depois) até um dos topos da cidade.
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Definitivamente, preciso de uma câmera nova; essa com o visor apagado está "degolando" a turminha |
A turma, dos mais variados ritmos, logo se dividiu, como sempre acontece. Nos nossos treinos, cada um vai na sua batida habitual e/ou de preferência. Fiquei no bloco dos meus companheiros de sempre. E os caras estavam
no apetite. Fizemos os cinco primeiros quilômetros, até o pé do morro, quase em ritmo de competição. Teve até parcial começando com quatro...
Mas, depois da descida da Avenida São José e do longo trecho plano da Via Norte, que virou percurso de várias provas na cidade, vinha ela. Logo além da ponte sobre o rio Paraíba do Sul, uma dobrada à direita e outra logo à esquerda e lá estava a rampa. Transformando passadas largas e elegantes de até então em passinhos curtinhos. Um pouco mais e os "bebês" sairiam engatinhando morro acima.
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Não se engane. Começa levinha, mas logo fica encardida |
Luis Carlos, morador das redondezas, é que foi bancando o guia. Mesmo assim, a
cavalaria que puxava a fila acabou se perdendo, entrando à direita onde ele gritou "esquerda!". Atento, peguei o caminho certo. Menos afeito às pirambeiras, no entanto, fui ficando um bocadinho para trás. Mas só apelei para a caminhada uma vez, no finalzinho, onde o paredão ficou quase vertical. Valeu cada passo. Que lindo visual da cidade lá de cima!
Normalmente, a gente bate e já volta. Mas hoje, simplesmente, não dava para chegar lá e não admirar o cenário, a noite caindo, o outro morro ainda mais alto logo ali (que fica como desafio para uma próxima vez!), os amigos começando a chegar, a alegria da conquista do objetivo no rosto de cada um. Tinha deixado minha câmera no carro, mas felizmente o Raphael levou o celular. Registrando e eternizando esses momentos marcantes. Melhores do que muitas corridas por aí. E não teve nem boleto!!!
O retorno seria bem mais tranquilo, fora o piso meio escorregadio do começo da descida. Achei que iria pegar leve e seguir sozinho, mas acabei alcançando o Zebra, nosso capitão da Equipe 100 Juízo, perto da ponte. E correríamos juntos pelos cinco quilômetros finais, inclusive com outra subida das boas, a que começa no viaduto ferroviário da Via Norte e vai até a rodoviária velha. Mas que virou
formigueiro perto da escalada maior do dia.
Wagner e Kleber, que apareceram de última hora, seguiriam reto, completando seus trajetos no Vicentina. O resto da turma concluiria no ponto de partida, na Anchieta. Com direito a um delicioso bolo de limão trazido pela Vanda. E muita alegria por estarmos todos juntos mais uma vez, com saúde e podendo fazer aquilo de que tanto gostamos. Recebendo cada vez mais gente para participar conosco, sangue novo, mais energia e entusiasmo. Fortalecendo ainda mais os nossos laços de amizade.
Que venham sempre novos desafios, cenários, metas a serem atingidas. Disposição para eles, não há de faltar. Não precisamos ser heróis. Basta que sejamos
corredores.
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Eis o caminho |
Link no Garmin Connect:
Resumo do treino: