terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Treino 26 - Não sou o João, mas também dou os meus pulos

Ufa! Depois de muito protelar, adiar por pura preguiça, chuvas que o transformaram num pântano ou por conta do carro do fumacê (que salva vidas, mas empesteia o ar), finalmente consegui estrear nessa temporada em um local que deveria, por definição, ser o meu principal habitat. É numa pista bem parecida com essa, de piso igualzinho, mas lá no paulistano Tatuapé (o mito da fotografia, Marcos Viana "Pinguim", sempre lembra que na verdade é Vila Formosa), que o sonho vai (ou deve) virar realidade.


Se lá no PET, ex-CERET, eu quero passar um dia inteiro (ou quase) correndo, é no JP, iniciais da alcunha pela qual ficou mundialmente conhecido o grande atleta valeparaibano dos saltos, em distância e triplo, que eu devo me preparar para estar apto ao final de junho. E vou. Onde passa um boi, passa a boiada toda...

De Pinda para o mundo
Na inauguração (em 1983) do centro poliesportivo que ganhou seu nome, pouco tempo depois do grave acidente automobilístico que interrompeu sua brilhante carreira esportiva, João Carlos de Oliveira, o João do Pulo infelizmente não compareceu. Mas a homenagem, além de justa, foi condizente. O local se sagraria como um verdadeiro celeiro de esportistas. Pelas suas dependências, desfilariam e seriam formados grandes atletas. Não só corredores, velocistas e fundistas, mas também praticantes de outras modalidades do atletismo, além do judô e da natação. E alguns belos pernas-de-pau naquele campo de futebol também...

Isso nunca falta, nem lá, nem em lugar nenhum...
Até eu, que nunca fui grande em nada, tive meu momento popstar do esporte por lá. Aquela pista, aquele solo sagrado, foi o cenário da minha única medalha (e de ouro) conquistada em uma competição oficial de atletismo, o revezamento 4 x 100 metros dos jogos internos (chamar de "Olimpíadas" é sacanagem!) da ETEP em 1987. Sempre que eu correr naquela primeira curvinha depois da largada, vou lembrar que lá vivi breves, mas eternos cem metros de um sonho.

Todo panga tem seu dia de "corredor de verdade"
A viagem para o litoral no final de semana me fez perder (ou transferir) o primeiro grande treino simulado por lá, que deveria ter três horas de duração e acontecer no último sábado. Como "penitência" (ou será prêmio?), acabei trocando os quarenta minutinhos de esteira previstos para a noite desta segunda-feira por uma sessão de vinte voltas na pista oficial de atletismo. Não por coincidência, o exato tamanho de cada ciclo de oito quilômetros da minha (teórica) estratégia de prova.

Aproveitei a distância entre minha casa e o poliesportivo, uns 1600 metros ou pouco menos de vinte minutos, para uma caminhada de aquecimento. E já cheguei chegando na pista, ávido pelos giros, com a animação de um estreante. O gramado estava lotado. Vários integrantes da numerosa e fortíssima equipe de corrida de rua que leva o nome do local faziam seus treinamentos. E eu, que imaginara fazer mais um treino solo, não tardaria a ganhar companhia. Logo na primeira volta, seria alcançado por uma das figuras mais conhecidas de lá, que pediu uma carona. Sou doido de recusar?

Sempre no meio das feras. Vai que é contagioso?
Dutra, o primeiro à esquerda na foto acima, corre há pouco tempo... Só uns quarenta anos! Era a segunda vez que eu tinha a oportunidade de fazer um treino ao lado dele. Uma verdadeira aula de corrida, aliás. Aproveitei o ritmo relativamente tranquilo, pelo menos dos giros iniciais, para fazer várias perguntas. E ouvi muitas boas histórias desse veterano companheiro de esporte, 66 anos de vida e inúmeras maratonas, meias, provas em geral, troféus, pódios, conquistas e títulos. Os tempos do camarada, ainda hoje, são espantosos. Quase vinte minutos a menos que eu nos 21 km, para dar uma leve noção. Ter essa colher de chá de correr dezoito voltas com o cara, definitivamente, não é coisa para se jogar fora. Nem vi o treino passar...

Correr também é acumular conhecimento
Fechei a sessão com mais duas voltas correndo sozinho; a primeira em bom pique, a última de desaquecimento. Por usar as raias mais externas na maior parte dos giros, acabei fazendo praticamente uma volta a mais, 450 metros de bônus, em razoáveis 47' no total. Tanto melhor. Foi muito bom começar, quae sera tamen, esse processo de "reambientação". Não há como fugir da(s) raia(s). Vou ter que ser muito visto no JP, se quiser mesmo aparecer lá no PET em junho... E vou. Ser e aparecer.

Eu tenho uma pista
Que daqui a vinte e cinco anos, quando eu tiver a idade do Dutra, um jovem (ou nem tanto) corredor possa escrever em seu blog (se é que isso ainda vai existir):
"pô, nem te conto: corri hoje ao lado do Fábio Namiuti. Esse cara tem história!"

Link no Garmin Connect:
http://connect.garmin.com/activity/275083577

Resumo do treino:





segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Treinos 24 e 25 - Essa é a minha praia

A última vez em que tirei férias, mas férias de verdade mesmo, daquelas com trinta dias e din-din garantido na conta, foi no jurássico ano de 1993. Desde então, trabalhando por conta própria, nunca mais pude me dar ao luxo de ficar tanto tempo de papo para o ar. Mais um motivo para aproveitar ainda mais os momentos de lazer. Mesmo nessa época de vacas esqueléticas de tão magras.

Um dia, Mimosa, um dia...
Quem não pode tirar o mês todo de folga, há de se contentar com uma semana... Vem sendo assim há alguns anos. A semana de saco cheio entre Natal e réveillon, ou a habitualmente parada primeira semana do ano, costumam ser as minhas "microférias" (estão mais para "nanoférias"). Não é o ideal, mas já faz um bem danado. A paz de passar sete dias sem ouvir a tranqueira do celular tocando, não tem $$$ que pague.

Me too!
Mas essa virada de ano foi atípica. Nem esses míseros dias deu para folgar. 2013 já começou pauleira, tanto em termos de trabalho quanto em treinos. Muito o que fazer, para que as resoluções de ano novo não fossem páginas viradas antes mesmo do final de janeiro, como as de quase todo mundo. O que restou foi a possibilidade de passar o final de semana na praia, um depois do carnaval, quando o litoral costuma estar um pouco menos muvucado. Achei perfeito.

Ano novo?
No final da tarde de sexta, enforcando o treino de musculação previsto (um dia só, pode!), peguei a família e nos mandamos para a Tabatinga. Por mais que eu frequente a última praia ao norte de Caraguatatuba, já na divisa com Ubatuba, há um quarto de século, não me canso dela nunca. Nem das suas vizinhanças. O litoral norte paulista, nossa côte d'azur (os preços lembram mesmo!), é cheio de preciosidades. Basta pegar o carro e ter coragem de encarar estradas absurdamente esburacadas, para chegar a verdadeiros tesouros escondidos, cenários de cartão postal, playgrounds para crianças de todas as idades. Eduardo, oito anos, adorou a praia da Caçandoca. Seus pais, quarentões, também.

Sábado

E foi nela, a Tabatinga, o primeiro dos dois treinos litorâneos do final de semana. Igual ao que já fiz várias vezes, em outras temporadas por lá; mas totalmente diferente do que estou habituado e, por conta disso, sempre divertido. Com a tal tendência minimalista (brinquei outro dia dizendo que estou nela, pago o mínimo que posso pelos meus tênis), correr descalço ou quase isso, está virando moda. Pesadão como sou, evito, restrinjo a curtas distâncias. Mas não iria calçado para esse passeio na praia.

Uma luxuosa pista de treino
De correr na areia, posso falar do alto da experiência de quem já fez toda uma maratona nela, a das Praias de 2009 em Bertioga. Não morro de amores. Sobretudo quando a areia fica fofa, afunda os pés e torna o ato de correr, que já faço com certa dificuldade, algo ainda mais complicado. Mas é um belíssimo treino de fortalecimento muscular. Tivesse "caixas de areia" do tipo mais perto de casa, certamente praticaria bastante. As panturrilhas chiam, o fôlego raleia, mas o condicionamento como um todo agradece.

Passos difíceis
Mas, afora esse grau de dificuldade extra do piso, correr à beira-mar é sempre uma delícia. Para quem está acostumado a ter como cenário de treinos um monte de avenidas, carros, prédios e outdoors, a vista do oceano é um colírio. A simples possibilidade de chegar à metade do treino, no final da praia, parar e dar aquele mergulho, mesmo que nem sempre acabe se fazendo isso, já é uma recompensa por si só. Chegar e encontrar a família, ter aquela água ou suco geladinho (pode ser até de cevada!) esperando por você, é sensacional. Vai chegar um dia, e muito em breve, em que vou ter a companhia do meu filho no percurso. Aí, então...

Correr com ele é tão bom que virou capa de livro

Foram só 4,1 km, percorridos em pouco menos de 23 minutos. Treino bem curtinho, mas que já deu a sensação de missão cumprida para o sábado. Deixando o graúdo mesmo para o dia seguinte.

Domingo
Ainda bem que tive uma hora a mais para descansar, nesse encerramento do horário de verão. Mas o relógio endoidou e acabou me acordando às cinco da matina. Resmunguei, voltei para a cama e cochilei um pouco mais até as seis. Sou corredor, não galo...

Tem uns que eu conheço que acordam o despertador...
Estava numa dúvida atroz sobre para qual lado ir. O plano inicial era deixar o carro (e a família) na praia da Lagoinha e seguir correndo de lá até o centro de Ubatuba, vinte e quatro quilômetros e uns quebradinhos depois, retornando ao ponto de partida de ônibus. Para isso, no entanto, teria de sair bem mais tarde. Até a turma ficar pronta, o sol já estaria alto no céu. E a previsão do tempo era assustadora (para o meu gosto pessoal): 34ºC.

Minha kryptonita
Acabei, então, optando pelo caminho inverso. Bem mais manjado em passagens motorizadas, mas, detalhe, onde eu nunca havia corrido antes. Às 6:45 eu deixava uma deserta Tabatinga, após breve caminhada de aquecimento da casa até a pontezinha de madeira, limite de município entre as duas cidades. E, depois de pouco mais de uma milha da praia até a BR-101, virava à esquerda sentido Caraguatatuba. Pouco preocupado com distância, tempo ou ritmo. Focado apenas em me divertir, curtir o momento, aproveitar a rara oportunidade de fazer um treino tão fora da minha rotina. Se bem que treinar, ao menos para mim, nunca é...

Não é só na teoria
A menos de cinco quilômetros, estava a segunda praia do roteiro. E eu já ia passando batido por ela, quando subitamente pensei: por que raios correr de forma contínua, como se fosse só mais um treino banal? Que tal fazer um "de praia em praia"? Dei meia-volta e fui fazer uma breve escala na Mococa e suas areias escuras, monazíticas. Foram uns dois ou três minutinhos só. Tomei um gole d'água da garrafinha, respirei fundo, tirei uma fotografia mental da (bela) paisagem. Mas já foi revigorante. Deu graça e charme ao treino. Quando voltei à estrada, já via muito mais sentido naquilo tudo.

Estação Mococa
Mais três quilômetros e uma nova parada, agora para curtir o visual da Cocanha, praia seguinte da orla de Caraguá, bem mais próxima das ilhotas que se avistam ao longe da Tabatinga. Ainda vazia, pelo horário matinal, mas já começando a ter algum movimento de banhistas e nos quiosques.

Estação Cocanha
A próxima praia era a maior do caminho. Quase sempre vazia, mais frequentada por pescadores que por turistas, a Massaguaçu, de ondas fortes e faixa de areia estreita, é um cenário de cinema. Por lá, aos dez quilômetros de treino, parei para recarregar o squeeze e usar o (providencial) banheiro do posto de gasolina. Na retomada, encontrei outro corredor, que parou para tirar umas fotos. Fiquei com uma invejinha... Deveria ter levado a câmera também!

Estação Massaguaçu
No final do retão, quando a praia muda de nome para Capricórnio, a estrada dá uma forte guinada para a direita, deixa momentaneamente a costa e passa a subir uma serrinha. Para quem vinha se deliciando até então com o longo trecho, praticamente todo plano; e começando a sofrer com o forte calor, que à aquela altura já passava dos trinta e um graus, nada recomendável. Até perto dos treze quilômetros, eu corri. Quando a subida começou a apertar (parece coisinha à toa, mas sai de zero e chega perto de cem metros acima do nível do mar), apelei para a caminhada. Sem culpa. Melhor ainda para apreciar as belezas do cenário lá do alto.

Daqui do morro dá pra ver tão legal...
Em compensação, morro abaixo, tirei o atraso... Não foi uma (boa) sandice como a descida do Cristo em Poços de Caldas, mas despinguelei pela rampa perto dos 5'20''/km, bem mais ligeiro que no resto do trajeto. Só alegria. Definitivamente, sou um corredor de montanha. De montanha abaixo...

A vontade era de seguir em frente, deixar a estrada, pegar a via lateral à esquerda e seguir até a Martim de Sá, depois a Prainha, o Camaroeiro, a Praia do Centro, o Indaiá, a Pan-Brasil, a das Palmeiras, a do Romance, a das Flecheiras, o Porto Novo. Exageros à parte, pelo menos as quatro ou cinco primeiras eram plenamente acessíveis, nem tão distantes assim. Mas o calor já havia superado o limite do infernal. Subindo rapidamente, o termômetro do Garmin Fenix já indicava aqueles 34ºC da previsão-pesadelo e a sensação térmica era de ainda mais.

Estação Martim de Sá: o "metrô" não chegou até lá. Fica pra próxima vez...
De coração partido e avistando um ônibus que se aproximava do ponto, achei por bem interromper o treino por ali, aos quase 16 km rodados. Pensando na minha saúde, claro; mas também nos que haviam ficado na casa e esperavam ansiosamente pelo meu retorno, para curtirmos juntos o restante do domingo. Deveria, na verdade, ter acordado naquele primeiro bipe do relógio... Provavelmente teria corrido (bem) mais. Mas estava feliz e satisfeito. Não é todo dia que dá pra dizer que minhas pistas de treino foram quatro, quase cinco praias.

Ser pai é... Levar caldo de propósito para garantir a risada do filho!
Que venha mais uma bela semana, cheia de bons treinos, já a partir desta segunda. Mesmo que não sejam tão paradisíacos quanto.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Treino 23 - ¡Viva la evolutión!

Se existe algo que dá gosto de ver em uma preparação para prova-alvo, isso atende pelo nome de evolução. Como é gratificante constatar que o treinamento, tanto físico quanto mental, o torna apto hoje a fazer aquilo que ontem ainda não era capaz.

No meu caso específico, o de alguém que, definitivamente, não nasceu para o esporte que decidiu praticar, mesmo que essa aptidão seja reconquistada, que tenha sido algo absolutamente natural há pouco tempo atrás, mas que se perdeu por pura falta de hábito e repetição.

Meu primeiro semestre de 2012 foi difícil, acidentado, cheio de pequenas e incômodas contusões, mas também bastante produtivo. Falhei clamorosamente na primeira tentativa de correr 42,195 km, na dificílima Maratona da Linha Verde em Belo Horizonte. Mas me redimi nas duas seguintes, cravando dois recordes pessoais seguidos, nas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Foram as provas que me deram o "alvará" para querer tentar esse desafio da ultramaratona, alcançar enfim um próximo nível.

Recordar é viver
Em contrapartida, e até como uma recompensa pelo êxito, a segunda metade do ano foi de pura esbórnia. Não leve ao pé da letra: não embarquei no túnel do tempo e virei de novo aquele fumante-beberrão-boêmio dos anos noventa. Mas me dediquei a um semestre de apenas diversão em termos esportivos. Sem qualquer objetivo, treinei de forma extensiva, sem planilha e nem provas para as quais me preparar. Corri provinhas de 5 km a rodo, só para brincar. Deixei de lado os longões acima das duas horas e meia (salvo honrosas exceções) e passei a fazer rodagens livres, sem nenhuma preocupação com o relógio e nem o GPS embutido nele. Foram seis meses de total (e gloriosa) liberdade, mas também de destreinamento.

Correr por aí
Provas horrorosas (por culpa minha) que fiz no final do ano, como a Meia Maratona em Guaratinguetá e a Volta da Pampulha, já denotavam quanta dificuldade eu teria para voltar a correr a sério. Em todos os sentidos possíveis: aumentar distâncias, acelerar ritmos e, pior, bem pior para quem escolheu fazer uma prova com 24 horas de duração em uma pista de atletismo, ter paciência e equilíbrio mental para treinos psicologicamente desgastantes. Sim, falo deles: pista e esteira. Onde o prazer de correr dá lugar a uma sensação de tédio infinito.

Eu já tentei de tudo, mas não tenho remédio...
Na primeira vez no ano em que fui correr na pista (e olha que nem foi na convencional, a de quatrocentos metros da oficial do atletismo, mas em uma com mais de mil), tive uma dificuldade imensa ao fazê-lo. Dei apenas quatro míseros giros, parei para um estratégico gole d'água e, ao invés de prosseguir, inventei uma auto-desculpa qualquer e completei os seis quilômetros restantes no lado de fora do parque. Aliviado.

A "concorrência"
Um mês depois, regressei. O Vicentina Aranha continuava lá, belo e movimentado, cheio até a tampa de corredores e caminhantes (daqui a pouco vem o frio e ele esvazia...). Mas eu estava bem diferente. Diferente para melhor, aliás. Corri até menos que da outra vez: nove voltas ou pouco mais de 9200 metros. Mas sem aquela sensação do peso do mundo nas costas, sem uma corda imaginária no pescoço ou uma bola de ferro fictícia amarrada às canelas. Pelo contrário. Foi bastante prazeroso correr de forma contínua, até mesmo quando a companhia dos amigos Wilson e Silvio Américo, da metade em diante, fez o ponteiro do velocímetro avançar além do ritmo leve que eu pretendia imprimir. Nem vi o tempo passar. Parecia até que estava correndo na rua. Ou na praia (onde serão os próximos treinos, viva!!!).

Reaprendendo a correr indoor
Tudo isso é a tal da evolução. Ser, aos poucos, capaz novamente de ir mais longe, correr por duas, três ou mais horas. Ver o ritmo no relógio aumentando sem sentir o coração querendo sair pela boca. Assistir a uma queda lenta, quase imperceptível, mas constante, nos dígitos da balança. Tocar os músculos e dizer ei, pra um tiozinho de quase 4.2, até que tá legal... E também, e talvez o mais importante, ter a mente focada no objetivo maior. Meu corpo é extraordinariamente forte, já tive provas disso inúmeras vezes nesses anos de corrida. O maior adversário é a cabeça.

Focar-me-ei
Acabou a molezinha. Daqui em diante, os treinos, ou pelo menos alguns deles, serão cada vez mais de gente grande. Não se trata de desafiar meus limites, mas de ampliar as minhas capacidades. E disso, eu gosto muito. Que ninguém duvide: EU VOU CHEGAR LÁ!

Link no Garmin Connect:
http://connect.garmin.com/activity/273330617

Resumo do treino:


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Treino 22 - Ô esquindô, esquindô

Corrida e carnaval são coisas incompatíveis? Penso eu que não. Tem muito corredor-folião por aí, haja vista a dificuldade de convocar a galera para um treinão durante esse reinado de Momo. A ideia inicial era aproveitar o feriado e encarar os 20 km da subida da serra de Campos do Jordão, percurso feito algumas vezes pelo nosso amigo Vander Mineiro com o campeoníssimo Jota Jr. e outras cobras criadas. Ficou para outra oportunidade.

Corredor cabeçudo a gente vê em toda prova por aí...
Acredito que ninguém precisa abrir mão totalmente daquilo que gosta em nome da corrida. A grande maioria de nós é amador, não tem a quem prestar contas (a não ser a nós mesmos) do desempenho. E não vão ser (mais ou menos) quatro dias de festa, sem maiores extravagâncias (conceito dos mais subjetivos), que vão botar tudo a perder em termos esportivos. Há sim como dar uma pausa e curtir a folia sem maiores traumas, sabendo que a vida e a corrida continuam na quarta-feira de cinzas...

Acaba nada
Mas há também aqueles, eu aí incluso, que não dão muita pelota para os folguedos. Curti bastante (ô!) os meus carnavais das décadas de 80 e 90 e hoje não vejo mais muita graça na brincadeira. Nada contra, em absoluto. Mas simplesmente não tenho mais vontade de sair pulando por aí. Preferi dormir cedo e poupar minhas energias para a folia que realmente me interessa. Foram apenas 6,5 km na sexta-feira pré-carnavalesca, quase 28 km no domingo. E estava prevista uma apoteose de mais vinte e tantos mil metros para essa manhã da terça-feira gorda. Para nos ajudar a não ficar tanto quanto ela...

Como legítimo representante do grupo, eu posso fazer piada
Viria pouca gente, mas quem apareceu, estava animado e bem disposto nessa derradeira manhã de carnaval. Mesmo chegando cedo, fui o último a deixar o carro no estacionamento do Centro da Juventude. Onde já havíamos estado, aliás, em meados de janeiro, também para um treino "internacional". O destino era a mesma cidade vizinha de Jacareí, mas desta feita, não só até a divisa com ela. Iríamos adentrar um pouco mais, segundo a etimologia tupi, o rio dos jacarés.

Pequeno grupo para um grande treino
Muita gente acabou não dando as caras, inclusive alguns nomes previamente confirmados. Aguardamos mais alguns minutos como de costume, mas, preocupados com o sol que resolvera enfim aparecer aos 44' do segundo tempo carnavalesco, acabamos largando pouco depois das oito. A meu pedido, ao invés de seguirmos pelo mesmo roteiro da outra vez, a Estrada Velha Rio-SP, pegamos o caminho inverso, pelas marginais da Rodovia Presidente Dutra. Nada muito temerário, para uma manhã de pouquíssimo tráfego pelo trecho da estrada na região. Pena que, com isso, tenhamos perdido a companhia do bom amigo e grande corredor João Carlos, que pretendia correr menos e para o outro lado.

Uma estrada (quase) só para nós
Rodrigo e Cristiano dispararam na frente. Eu e Edson ficamos em um bloco intermediário. E Roseli e Fábio Siqueira completaram o pelotão. Correr ao lado desse companheiro e figuraça é garantia de muito assunto e risadas. O cara é um grande contador de histórias. Sem tanto fôlego quanto ele, respondi com monossílabos e frases curtas, mas me diverti bastante com o (sempre) ótimo papo. Nem vi o tempo passar. Chegaríamos muito rapidamente até a placa anunciando a entrada do município limítrofe, depois de sete quilômetros ou cerca de quarenta minutos.

Mapa internacional
Rodaríamos mais dois quilômetros pela avenida de entrada da cidade, a Variante Getúlio Vargas. Mas, já começando a sentir o bicho pegar pela temperatura elevada, pedi ao amigo que não seguíssemos adiante até a Praça Charles Gates, conforme inicialmente previsto (num dia mais ameno e não tão próximo de outro treino longo, teria ido com tranquilidade até o belo Parque da Cidade local). Ele voltou para avisar a dupla do fundão, eu aproveitei para recarregar o squeeze na padaria. E, nos despedindo dos amigos (que correriam 11 km e voltariam de resgate motorizado), pegamos o desvio que levava diretamente à estrada velha, cortando por dentro do bairro Jardim Luíza. De presente (de grego), uma bela ladeira para escalar.

Fugi do espeto e caí na brasa (ou vice-versa?)
Dei uma rateada, mas o parceiro esperou até que eu chegasse ao topo. Seguimos juntos pelo Villa Branca e descemos com gosto o ladeirão da antiga rodovia. Morro acima, ele abria distância naturalmente, mas fazia questão de manter a companhia, trotando no mesmo lugar e aguardando. Só mesmo na grande pirambeira, já depois da divisa dos municípios e de volta à terrinha, é que não tive mais como segurar o rei da rampa

Esguichando mais a garrafinha d'água no cocuruto que na goela, subi praticamente tudo andando. Só voltaria a correr quando aplainou, quase um quilômetro depois. Sem problema. Estou treinando para uma corrida totalmente flat e com pausas propositais para caminhadas. Faz parte da minha estratégia e, mais do que nunca, não vou me envergonhar nem um pouco disso.

É nome de circuito, mas virou também uma espécie de lema
Sozinho, imaginei que ditaria um ritmo bem confortável daí em diante; mas acabaria correndo até mais forte que no começo. O leve, mas quase contínuo declive ajudaria bastante nesse aspecto. Faria nova parada para reabastecimento, desta vez no supermercado que chegou a ter uma corrida por aqui (o tal "Mexa-se"), mas acabou nos "abandonando", focando investimentos em sua sede no ABC paulista. E completaria meus dezoito quilômetros (e uns quebradinhos) em algo em torno de 1h47min. Nada mau para quem correra quase trinta há menos de quarenta e oito horas. Chegando à boa marca de 52,3 km rodados nos cinco dias de samba. Sem atravessar.

Missão cumprida
Por lá já estavam todos, correndo menos ou mais que eu. E ainda chegaria depois a Vanda, que treinara mais cedo no Vicentina Aranha, mas fez questão de passar para o rá-rá-rá e distribuir providenciais bananas aos esfalfados e esfomeados companheiros de equipe. Gesto bonito e solidário. É assim, felizmente, que a coisa funciona com a gente. Muito obrigado, querida amiga!

Estar presente faz toda a diferença
Agora é sacudir o confete, enrolar a serpentina e continuar treinando firme, que o carnaval passou, mas o baile, esse segue.

Link no Garmin Connect:

Resumo do treino:

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Uma companheira, uma confidente

Já haviam se passado um ano e mais alguns meses desde o dia em que decidi tentar voltar a correr (e quase botei pulmões boca afora na Área Verde). A corrida era um hábito praticamente diário naquele final de janeiro de 2005, quando abri o Microsoft Excel e, usando meus parcos conhecimentos como seu usuário, montei uma rudimentar planilha eletrônica para nela começar a registrar meus treinos e corridas.

A pioneira
A intenção era modesta: apenas ter uma noção do quanto estava correndo por semana e por mês. E dificuldades para isso não faltavam. Soa estranho dizer, já que nem faz tanto tempo assim. Mas ainda não existiam ferramentas hoje corriqueiras, como o site MapMyRun.com. Google Earth até já havia, mas as imagens de satélite de São José dos Campos não passavam de borrões. Relógio com GPS embutido? Nem se falava ainda... Ou era coisa da NASA! Tempos heroicos. Muitos dos valores que lancei nas linhas e colunas foram estimados. Alguns, inclusive, superestimados.

Mede aí o quanto você correu...
Cheguei a comprar um daqueles feiosos tênis Rainha System DPT, à época, um must da tecnologia. Vinham com um aparelho, o pedômetro, acoplado à lateral, usado para contar o número de passos e dar uma vaga ideia da distância percorrida. Claro que prometiam (muito) mais do que podiam cumprir, mas já eram um brinquedinho interessante para quem começava a curtir a diversão de contabilizar quilômetros rodados.

Digital Personal Trainer... Quanta pretensão!
2005 terminou com seis corridas oficiais (estrearia em junho daquele ano em Campos do Jordão), minha primeira São Silvestre e, descontando os trinta primeiros dias não registrados em janeiro, 2141 km rodados. A planilha versão 2006, ano da minha primeira meia maratona e de vinte corridas disputadas, não traria nenhuma novidade e registraria apenas alguns quilômetros a mais, 2203 no total.

Só a partir de 2007 é que iria começar a fazer alguns pequenos ajustes. Acrescentaria à planilha daquele ano colunas para registrar o peso antes e depois do treino, calculando a perda durante a atividade (haja paciência para lembrar de fazer isso todo dia!), bem como para anotar a temperatura (estimada) durante o treino ou corrida. Pela primeira vez iria também usar o conceito de percepção subjetiva de esforço, a célebre Escala de Borg. Bobagem, mas bobagem científica. Já um pouco mais experiente como corredor, intercalando dias de repouso e cross training, reduziria minha rodagem anual para 2133 km. Mas aumentaria o número de provas para vinte e oito.

Revista e ampliada
2008 seria o ano da estreia em maratonas e da minha até hoje única contusão séria (janeiro e fevereiro seriam meses de pouquíssima corrida por conta disso). A planilha ganharia campos para analisar melhor a rodagem semanal, passaria a ser em bloco contínuo (ao invés de separada por semana, como nas versões anteriores) e teria pela primeira uma aba com gráficos (bem simples, do tipo "pizza", com percentuais que cada distância, tempo ou média de velocidade correspondia em relação ao total de treinos e corridas. Com os 45 dias praticamente perdidos no início do ano, apenas 2002 km rodados no total. E trinta corridas completadas.

A partir de 2009, no entanto, tudo mudaria bastante. Seria a primeira versão da planilha a estar disponível em meu site pessoal, o Arquivo de Corridas de Fábio Namiuti. Além da preocupação estética (era o fim da era cinzenta e o início das cores), muitas novas informações. Colunas para controlar o tipo do treino e do piso, tênis utilizado, observações, link para o percurso em sites de mapeamento, etc. Abas para cálculos, estatísticas e gráficos por semana, mês, dia da semana, tênis, piso, tipo de atividade. Muita gente faria o download gratuito e se tornaria usuário e fã de carteirinha da, até então, minha ferramenta de uso pessoal. E ela registraria o meu recorde absoluto (até hoje) de rodagem anual: 2500 km. Com trinta e cinco provas inclusas.

A primeira versão bonitinha e popular
Veio a nova década. A pedidos, versões atualizadas em 2010 e 2011 e novos recursos, como a aba "locais" mostrando totais de treinos em um determinado lugar informado pelo usuário, a autoexplicativa coluna "horas de sono", o quadro comparativo com a rodagem do ano anterior, a aba "laps" para registrar os tempos por quilômetro em cada treino (acabaria excluindo posteriormente, por não ter pacovás para registrar tudo isso diariamente), os totais por semana e mês em colunas da própria aba principal. E outras pequenas melhorias, das quais não vou me recordar agora.

Mas de uma coisa me lembro bem. Com o relativo sucesso, mais de dez mil downloads da primeira versão gratuita, coloquei no site um botão para doações, solicitando contribuições voluntárias pelo trabalho do desenvolvimento... Porque, olhem, dá mesmo! Apenas três pessoas se dispuseram a colaborar. Uma delas, até com um valor vultoso para a época. Um reconhecimento bacana, que me deixou feliz e comovido. Mas também um reconhecimento pequeno. Para ser mais preciso, em termos percentuais, apenas 0,0003% dos usuários.


As primeiras versões da nova década
A partir de 2012, optei então por comercializar, por um valor simbólico, a planilha, que seguiu tendo evoluções estéticas e de funcionamento. Novas colunas, novas abas, mais informações, mais cálculos e estatísticas. Diversas inovações boladas por mim mesmo, mas também especial atenção às sugestões dos companheiros de esporte. Com a divulgação nas redes sociais, meus perfis no Twitter e Facebook, e diversos usuários cativos, a procura seguiu bastante grande. Felizmente (mas, óbvio, longe dos números significativos de quando era freeware).

É um dinheirinho a mais que entra e, claro, ainda mais nos dias de hoje, sempre ajuda. Mas, sobretudo, é uma motivação a mais para seguir trabalhando na melhoria contínua de uma ferramenta que é bastante útil. Não só para mim, mas também para diversas pessoas que confiam nela, como uma eficaz companheira de treinos e corridas. E uma espécie de confidente também. A cada dia, além de informações, registro também meus sentimentos a respeito de cada atividade. Reler é relembrar, mas também aprender com os próprios erros (e acertos).

A primeira versão comercial
A versão 2013, que está registrando todos os passos da minha preparação para a estreia no admirável mundo novo das ultramaratonas, está à venda através deste LINK. O pagamento pode ser feito através de depósito ou transferência (há cinco opções de bancos para isso) ou por meio dos principais sites, como o PagSeguro, o MoIP, o BCash ou o PayPal, que aceitam outras formas de pagamento variadas (boleto bancário, cartões de crédito e débito, transferência online, etc.).

Ao adquirir a sua planilha para registro e estatística de treinos e corridas versão 2013, você não só colabora com esse colega de esporte, como passa a contar também com essa valorosa companheira, que vem me auxiliando desde 2005 e que pretendo que siga fazendo o mesmo por muitos anos, enquanto eu correr. Quem usa, gosta e não fica sem.

A mais nova versão