quinta-feira, 28 de março de 2013

Eu achei...





Eu achei que correr era algo impossível para mim... E, depois que comecei, descobri que impossível mesmo é parar de correr.










Eu achei que corridas eram apenas para grandes atletas e vitoriosos... E descobri que a grandiosidade e a vitória estão em cada um que cruza a linha de chegada, independente do tempo e da colocação.











Eu achei que correr fosse apenas para gente em forma. E descobri que muita gente achou o caminho para a forma (e a saúde) correndo; que o “passe de mágica” é você mesmo quem dá.













Eu achei que corrida fosse um esporte individual, uma atividade solitária. E descobri que hoje tenho mais amigos, também corredores, do que em qualquer outra época de minha vida.














Eu achei que correr fosse coisa só de gente jovem. E descobri no meio das corridas jovens de sessenta, setenta, oitenta, noventa anos ou mais, vendendo saúde e dando lições de vitalidade para velhos de vinte ou trinta.











Eu achei que não conseguiria chegar correndo até o final de uma reta de duzentos metros. E descobri que minhas mais de duzentas e cinquenta corridas, nove maratonas, são apenas o começo. Eu quero muito mais.







Eu achei que não podia. Mas tentei. E descobri que posso.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Treino 50 - Fazendo 42, e pior que não são km

Caramba! Será que não tem como converter para milhas? Esses gringos é que são espertos. 26.2 soa bem mais fácil de enfrentar...

Years too, please...
Ah, não... Você não achou que eu iria comemorar meu aniversário de 42 anos correndo 42 km, né? Além de inviável em pleno dia de semana (em que eu trabalhei feito doido, aliás) e fora da planilha de treinamento para a ultramaratona, seria clichê demais. Gosto de desafios, mas não de obviedades.

Esse NÃO É meu super-herói favorito
Mas é óbvio também que a data também não passaria em branco em termos esportivos. Se não pudessem ser 42 km, que fossem (mais ou menos) 42 minutos, então. A Janete tramou, o Diretor Edward lançou a ideia e o evento, a Marlene reforçou o convite na página da equipe no Facebook, eu, como de costume, bolei o percurso... E, na hora combinada, sete da noite, os amigos estavam aqui, em frente ao meu prédio, para um treininho pré-celebração (e comilança, claro!).

Valentes companheiros
Aguardamos uns vinte minutinhos, apesar da garoa fina que certamente espantou alguns, para ver se aparecia mais alguém. E fomos, todos juntos, dar um abraço simbólico no meu bairro. Não nasci no Jardim Satélite, mas vim para cá aos dois anos de idade, no tempo em que ele ainda era em preto-e-branco... E aqui passei quase toda a minha vida, afora alguns anos em que morei no bairro vizinho, dois quilômetros à frente apenas. Aqui está quase toda a minha história. Abraçá-lo é quase como abraçar a mim mesmo.

Esse é o meu lugar
Reconheço que botei a galera numa fria... O Satélite certamente não é o melhor point de corrida da cidade. Suas principais avenidas, mesmo largas, são movimentadas demais. Seus motoristas não são propriamente lordes ingleses. E, principalmente, sua topografia não é das mais propícias para a prática do esporte, a não ser que você seja uma lhama. Trechos planos, até há. Mas tente montar um trajeto flat por aqui. Ele provavelmente vai ser bem curtinho. Ou em vaivém. Ou ziguezague.

Flagrante de um corredor do Satélite dando uma pausinha no treino
Começamos pela rua do mirante. Fosse de dia, o visual seria mais bonito. Ricardo Mourão e Fábio Siqueira dispararam à frente, fazendo papel de coelhos para a tropa. Na companhia do montanhês Wilson, hoje à meia velocidade, fiquei bem mais para trás. Se fosse para seguirmos fielmente o contorno do bairro, uma chegadinha até as suas partes baixas seria necessária. Mas aí, certamente eu seria suspenso do cargo de montador de caminhos por um bom tempo...

Espia só do que eu estou falando... O prédio verde NÃO fica no topo
Viramos então para o outro lado, o da Avenida Iguape, divisa do Satélite com o Bosque dos Eucaliptos. E tome um retão de um quilômetro e pouco, com mais trezentos metros de descida pela Rua Estrela D'Alva. Trinta metros de desnível negativo. Seria, claro, a melhor média de velocidade do dia. Descida faz a gente se sentir corredor.

Disso eu gosto
E tem chovido, hein? Nessa noite, até que ela nem atrapalhou tanto. Mas a de sábado foi forte. A ponto de fazer parte da Rua Lira, vítima costumeira disso, desabar córrego Senhorinha abaixo. Anos passam, prefeitos entram, prefeitos saem. E o problema não se resolve. O bairro ficou sem água o dia inteiro. E o trânsito foi interditado na Avenida Guadalupe, via principal de acesso aos outros bairros da região sul, desde então. Para o treino, até que foi bom, um cruzamento a menos. Para a fluidez do tráfego, um verdadeiro desastre.

Tá feia a coisa...
Passamos batido pelas obras (ou escombros) e seguimos pela rua que margeia grande parte do bairro. Para alegria do meu ilustre parceiro de treino, nada menos que o terceiro colocado geral no Campeonato Paulista de Corridas de Montanha em 2012, enfim encarando algumas subidinhas. A primeira, ao lado da praça e a segunda, logo depois, na escolinha infantil, não deram nem para esquentar. Mas da terceira, tenho certeza de que ele gostou. Tanto que voltou para "resgatar" a turma que vinha depois, só para ter o gostinho de escalar duas vezes.

Pra cabrito montês nenhum botar defeito
Cruzamos as duas principais avenidas do bairro, Andrômeda e Cidade Jardim. E descemos até a Mario Covas, ligação da região central com as rodovias dos Tamoios e Carvalho Pinto. Cenário inclusive das etapas do Circuito Superação, no ano passado (e nesse, será?). Bom lugar para correr. Principalmente quando fechada para os carros, como nas corridas. Com eles, perigosa em alguns pontos. Mas já foi pior, antes do viaduto e da iluminação.

Quando o viaduto era um desenho e os postes, nem isso, era complicado...
Agora na companhia do brother Aldo e do compadre Luis Carlos, terminaria o treino apresentando aos amigos o meu paredão. Lugar onde terminam muitos dos meus treinos longos solo, algumas vezes escalacorrendo até o fim, outras, mais cansado, só na base da caminhada mesmo. Com requintes de crueldade, em dois tempos, parte na Rua Antônio Aleixo, parte na Avenida Papa João Paulo I. Já perdi um motor 1.0 nessa rampa.

Começa aqui... E parece que nunca termina
Completada a missão em 44 minutos (a pirambeira impediu o número mágico) e reunido novamente todo o grupo, hora de festejar. Festa mesmo não foi, a verba anda curta e não permite extravagâncias. Mas cada um, solidariamente, trouxe um pouquinho e ficou com cara de uma. Tanta coisa gostosa, que eu vou ter que correr o ano inteiro para queimar. Uma cervejinha gelada, porque eu sou atleta (amador), mas não sou xiita. E tanta gente bacana, inclusive os que fugiram do treino (coisa feia!), que deu gosto de ver e estar ao lado. Se quem tem um amigo, tem um tesouro, eu só posso dar graças por tanta riqueza. E passar o resto da minha vida tentando ser e fazer o melhor possível, para ser digno disso.







Muito obrigado a todos (aos que estiveram comigo nesse dia ou não), por TUDO.

Link no Garmin Connect:
http://connect.garmin.com/activity/289351820

Resumo do treino:

terça-feira, 26 de março de 2013

Treino 49 - Rasgando o chão

São José dos Campos é uma cidade de média para grande, uns seiscentos e cinquenta mil viventes moram por aqui. E a área total do município é até considerável, são quase 1100 km². Mas dá, se você for um corredor medianamente preparado, para atravessá-la de uma região a outra só na pernada. Já aconteceu até de fazermos, se não me falha a memória, durante o carnaval de 2012, um treino passando por bairros das cinco zonas, norte, sul, leste, oeste e central. E não foi nem tão maratônico assim... Rodamos uns vinte e tantos "kaemes" naquele dia de folia.


Tudo é relativo...
Ainda meio detonado dos 15 km da véspera, no tobogã de Barueri, mas com vontade de botar para rodar meu presente de aniversário antecipado, um bom, bonito e baratinho tênis Saucony Cohesion 5, resolvi sair por aí, nesse final de tarde de segunda-feira, rasgando o mapa da cidade. O destino poderia ser qualquer um. Por acaso, escolhi que seria o ponto cardeal oposto ao meu. Sou sulista, moro nessa região da cidade praticamente desde que nasci. Apontei a seta para o norte e fui.

Bússola ou roleta?
Falando especificamente sobre o brinquedo novo, a primeira impressão foi das melhores. Não é leve (pesa 360 gramas) quanto o modelo anterior, o ProGrid Ride, que tive da mesma marca, mas achei bastante confortável. E, como eterno corredor parrudão que sou, não tenho muito como me livrar da necessidade de um bom amortecimento. O Cohesion pareceu eficiente também neste aspecto. Deve ser um bom parceiro nos próximos quilômetros que virão.

#TamoJunto e coeso, mano
Sendo sempre aquele cara que escolhe a cada vez um sabor diferente na sorveteria da vida, não fui pelo caminho mais óbvio e curto. Mas a descida da Cidade Jardim é sempre um bom começo. Não tão íngreme a ponto de castigar os joelhos. Mas comprida o suficiente para dar um bom embalo e varrer para longe qualquer chance de preguicite aguda.

Começou, termine
Atravessei para o outro lado do córrego pelo Viaduto Talim. Mas preferi pegar uma das ruas andinas da Vila São Bento, caminhando um bocadinho rumo à Tamoios ao invés de continuar pela Avenida Mario Covas e subir pelo Anel Viário ou a marginal da Dutra. Caminho mais tranquilo e menos poluído. De vez em quando, bate um resíduo de juízo nessa cabecinha torta.

Dublin? Tá mais para Katmandu...
Cruzei a passarela e segui para a região central pela Francisco José Longo, mil e seiscentos metros de um retão quase plano. Dobrei à esquerda ao final da avenida e fui fazer o "S" da curva mais famosa da cidade, lembrando automaticamente que ali, quase sempre é cenário de treino coletivo. A galera faz falta. Mas correr sozinho também tem seus encantos. Vistas da orla do Banhado, as antenas da zona norte, recentemente conquistadas, piscavam sedutoramente ao longe. E as luzes noturnas joseenses eram quem ditava o meu rumo.

Pela luz
Preferi disputar espaço com os passageiros da rodoviária velha (não adianta, a gente não chama de "terminal central" de jeito nenhum!) e descer pela Rui Barbosa ao seguir pela quase deserta Via Norte. De bando, vá lá, até na madrugada. Sozinho é osso. Atravessei o viaduto ferroviário, sem piuí, e estava oficialmente na zona norte da cidade, apenas sete quilômetros depois de sair da zona sul. Já poderia até voltar. Mas preferi avançar mais um bocadinho pelo território do pão de queijo. Dizem por aí, e não por acaso, que o bairro de Santana é a parte mais ao sul de Minas Gerais.

Do ládicá da serra
Hipérboles à parte, o bairro tem mesmo orgulho de sua origem e a da maior parte de seus habitantes. Tem até a Festa do Mineiro, que não é em homenagem (pelo menos por enquanto) ao mega-atleta Vander Maciel, todo ano lá. Nove em cada dez santanenses terminam frases com "uai!". O décimo, ainda adiciona um "sô!". A única diferença entre Santana e uma típica cidade mineira é que a igreja não fica no alto do morro, mas numa bonita, arborizada e plana praça.

Rezar aqui não engrossa a canela
E foi ali que eu concluí a primeira parte do treino, depois de quase 9 km, aproveitando o começo da semana santa para um discreto sinal da cruz e uma rápida prece, ali mesmo na entrada da Matriz. Não sou carola e tenho lá as minhas diferenças filosóficas com o Vaticano (embora tenha simpatizado bastante com algumas atitudes do novo papa portenho). Mas nunca perdi a minha fé. Minha.

Mais ou menos por aí
Descansei um pouquinho, tomei uma aguinha no bebedouro, fiz que ia comprar uma pipoca ou um sorvete. Mas peguei o caminho de volta, inicialmente caminhando. Sentia uma dorzinha leve, mas chata na panturrilha direita, resquício da prova difícil da véspera. Depois de andar por um quilômetro e meio e ficar meio sacudo disso (demora demais!), resolvi voltar a trotar de levinho. Pegaria a avenida paralela e subiria correndo o outro viaduto, ao lado do Parque da Cidade e parte do morrão de volta até o centro. Alternaria caminhada e trote até o final, somando mais quase três quilômetros e fechando o percurso completo com doze. Já que o pessoal da excursão a Barueri dispensara o pastel da feira, fui matar minha vontade no trailer em frente ao prédio onde tive meu primeiro escritório, no começo nos anos noventa. Mandei logo um de calabresa com queijo, no capricho!

A-do-ro!!!
Foi assim o meu último treininho antes dos 42... anos. Um tiozinho corredor de bem com a vida, na medida do possível.

De sul a norte

segunda-feira, 25 de março de 2013

Treino 48 - Ê, baruêra!

O treino 48 também foi a corrida #4 do ano. Quem diria, hein? O ex-fominha não é folclore, ele existe mesmo. Quem duvidou, se lascou...

Tudo sobre os 15 km de Barueri em:
http://fabionamiuti.hd1.com.br/barueri2013.htm





sábado, 23 de março de 2013

Treino 47 - Sexta Super

Para nós, tudo é pretexto para marcarmos um treininho... Alguém vai fazer aniversário (como é o meu próprio caso, na semana que vem)? Bora comemorar correndo. Tem gente indo embora? O bota-fora é na pista. Voltou? Filho pródigo se "castiga" com passadas. Noivados, casórios, formaturas, batizados, bar mitzvahs... Bobeou, a gente sprinta.

Aqui, fio, é terno, gravata e tênis
Já que na quarta, excepcionalmente, não teve o coletivo da semana (só na madrugada de segunda para terça), aproveitaríamos o encontro para acerto dos honorários do motorista da van, responsável pelo nosso carreto até Barueri no domingo seguinte, para sincronizarmos mais uma vez as planilhas. Eu tinha uma hora de rodagem livre na minha. Montei então um trajetinho à toa (ou nem tanto), em ida e volta pelas duas margens da avenida que mudou de nome faz tempo, mas nunca deixou de ser a Fundo do Vale.

Desculpe aí, Senador Teotônio Vilela
Usufruindo mais uma vez das benesses do Parque Vicentina Aranha, local de concentração, estacionamento, hidratação (apesar de sexta-feira, era também Dia Mundial da Água!), vestiário e cenário para fotografias, entre outras finalidades, largamos com algum atraso, uns dez minutinhos. Culpa minha. Sabe-se lá por que, meu relógio resolveu fazer greve... Não achava o sinal do satélite de jeito nenhum! Só iria começar a funcionar lá pelo quilômetro três.


O pequeno grupo até que saiu unido, com exceção do Edson, que resolveu tirar o atraso da "largada" e correr em ritmo de competição. Treinar é ter o prazer e a honra de compartilhar, mesmo que por apenas parte do percurso, momentos ao lado de grandes craques do asfalto. Do contrário, como seria possível, por exemplo, acompanhar um Wagner?

Já corria muito nessa época... Hoje, então!
Seguimos por movimentadas ruas e avenidas da região central, 9 de Julho, Euclides Miragaia, João Guilhermino e Dolzani Ricardo, em clima total de happy hour. Depois da descida forte até o viaduto, o troco viria na mesma moeda: a subida porrada da Rua Genésia B. Tarantino, no Jardim Paulista. Quem tinha sido o cretino que montou esse roteiro mesmo???

Parece até que gosta...
Faríamos, depois do topo da ladeira, uma triangulação pelo bairro, contornando o grande terreno do batalhão policial onde, à tarde, numa boa e interessante inovação, haviam sido entregues os kits da Corrida General Salgado de Taubaté. Meio estranho ficar fora dela pela primeira vez desde 2006. Mas as novidades negativas, como o aumento no preço e as inscrições em lotes, além da concorrência com a gratuita e mais longa (15 km, contra os cinco ou dez taubateanos) Barueri, pesaram na balança pelo cancelamento da oitava participação consecutiva. Tradições existem, afinal, para serem quebradas.

Quem sabe no ano da Copa...
No vértice inicial da pirâmide, estava a avenida Santos Dumont. No fim dessa, a JK e sua longa descida. Foi bom. Mas também não passaria impune. Até o viaduto da volta, mais uma marretada no mocotó, pela Rua Martins Fontes, no bairro Monte Castelo. Do outro lado do córrego e avenida, rampa ainda pior, comecinho da Sebastião Hummel. Aldo e Wagner abriram distância. Paulo e eu formaríamos nova parceria. Tonico e Estevam, esse último estreando a lanterninha de cabeça, brinde da corrida noturna do sábado na capital, ficariam no outro pelotão. E assim, de dois em dois, passaríamos incólumes pelo território das "primas" (originais ou genéricas), dos choppistas, dos noiados, dos funkeiros e outras criaturas da noite afins. Sexta é sexta...

Dessas, até que dá menos medo...
De volta a regiões menos minadas, com um pouco mais de tranquilidade pelas avenidas São José, Madre Tereza e São João, concluiríamos nosso tour noturno de pouco mais de dez mil metros. A noite friazinha, de começo de outono; e os alvarás de curta duração com as respectivas senhoras não permitiram um chat ao vivo muito longo no pós-treino. Mas foi um bom, divertido e produtivo passeio, fechando a conta dos treinos da semana e preparando as carcaças para as provas dominicais.

Por aí...
Com essa patota, tudo termina (ou começa) em corrida...

Link no Garmin Connect (do Aldo, o meu deu tilt!):

sexta-feira, 22 de março de 2013

Treino 46 - Miles away

É, minha gente, estou ficando velho (na próxima terça-feira, mais ainda)... As têmporas grisalhas não me deixam mentir. Mas, além de ser um tiozinho acima da média de conservação, tento manter sempre viva uma das mais infantis, talvez a mais, das minhas características. A criatividade. Como canta a obra-prima de Toquinho, se me derem dois riscos, eu faço um guarda-chuva. Se forem cinco ou seis retas, então...

Numa folha qualquer
E isso é coisa que, não tem jeito, a gente leva para a vida toda. Não fui safo (ou não soube aproveitar as oportunidades) o bastante para fazer disso o meu ganha-pão, mas ela se manifesta em muito do que faço. Até mesmo em meu esporte. Quem bola esses treinos malucos, na madrugada, na beira da estrada mais movimentada do país, subindo até o ponto mais alto da região, em ziguezague por todas as ruas do bairro e outras boas molecagens? Esse cara sou eu.


Desenhando por aí
Nesses quase dez anos de esporte, já corri em ruas e avenidas, em estradas, asfaltadas ou não, em parques, em pistas, em montanhas, na areia da praia, em trilhas no meio da mata, em pântanos, em linha de trem, em escada de prédio, em galpão de fábrica, em campus universitário, em estacionamento de shopping... Se você pensar em outros lugares, é bem provável que eu também diga, ô, já, claro! Quando me perguntam "onde você corre?", eu só posso responder: no mundo.

Imagine se tivesse verba
Até o mais chato dos treinos, eu tento transformar em uma coisa lúdica, divertida. Foi assim ontem, quinta-feira. A planilha mandava fazer um treinamento em circuito na academia. Em uma semana de finalização de microciclo e consequente pouca rodagem, ao invés de ir para a bicicleta ergométrica ou o transport, decidi que iria correr na esteira. Sim, aquela mesmo, que (quase) todo mundo detesta. Como a única disponível era a que está programada em milhas (e há anos ninguém consegue desprogramar), aproveitei o conceito do treino para fazer uma brincadeira. A da milha mais rápida.

April, 1st
Antes da primeira sequência de exercícios sem intervalos, abdominais, aparelhos e pesos livres, a título de aquecimento, andei três minutos e depois corri a primeira milha. Mal deu para suar, a temperatura ambiente parecia agradável e ajudou. O painel da esteira mostrou 9'06''. Equivalente a 5'39''/km. Bem pianinho.

Quem dera fosse sofisticada assim
Fiz a primeira leva de exercícios, com carga média (nem tanto quanto na série de força, nem tão pouca quanto na de resistência) e quinze repetições de cada. E voltei à esteira "milhonária" para a segunda tentativa. Apertei um pouco mais o botãozinho de velocidade. E fechei em 8'20''. Pace de 5'11''/km. Já melhorando um pouquinho.

Não é exatamente esse, mas é sem parar
Fui para a segunda sequência, mudando alguns exercícios, mantendo os grupos musculares trabalhados. Intervalo zero entre cada estação. E voltei pela terceira vez para a esteira, milagrosamente livre e permitindo a conclusão do desafio. Já que era a última vez, sentei a bota. Não para bater um recorde pessoal ou sair voando do mezanino. Mas o suficiente para conseguir a melhor média do dia. Foram 7'44'' nessa milha final, ou 4'48''/km.

Camiseta ensopada. Missão cumprida. Treino maçante e aborrecido transformado em uma gostosa brincadeira. Coisa de criança grande criativa...

Esse não cresce... Nem eu!