sexta-feira, 15 de março de 2013

Treino 42 - Em nome da arte

Semaninha meio bagunçada, essa... Com o deslocamento (proposital) do treino longo em pista para o sábado, dia em que acontece (ou pelo menos começa) a prova-alvo desta preparação, fica zoado o meu esquema básico de correr dia sim, dia não. Nada que não se resolva, todavia, com um rodízio de funções entre a sessão de musculação de quinta-feira e o treino de rodagem da sexta.

Na verdade, prefiro esse rodízio, mas...
Mas havia um (bom) problema a resolver. Andei ganhando fama (injusta) de papa-tudo nos sorteios e promoções nas redes sociais. Até faturei uma ou outra, já que participei de inúmeras, a maioria delas concursos culturais ou coisa do tipo "seja o primeiro a responder". Com isso, "secaram" tanto que acabei virando um papa-nada. Voltei a ser o azarado de sempre, que não ganha nem frango assado em bingo de quermesse. Se meu nome estiver no papelzinho dobrado dentro do chapéu, sai a etiqueta antes dele...

Só um pouquinho menos que o Tavares...
Como toda regra tem sua exceção, vez ou outra a sorte bate, até por questões estatísticas. E um dos prêmios que mais gosto de ganhar é esse: ingressos para o teatro. É bom demais ver minha cidade, que já foi carente ao extremo de opções de lazer cultural, na rota de bons espetáculos, recebendo nomes consagrados. Acho fantástico poder proporcionar ao meu filho um tipo de diversão que não tive na minha infância. E também recuperar meu próprio tempo perdido.

Brincadeira... Chame sim!!!
Falando em tempo, tinha bem pouco para o treino. Terminei o trabalho (dois clientes para atender à tarde!), peguei o guri na escola, voltei, vesti o uniforme de super-herói rapidinho... E saí de casa para uma versão compacta da rodagem prevista. Para agilizar, nem caminhada de aquecimento teve, foi trotezinho suave logo de cara mesmo. Na cabeça, um roteiro por ali mesmo, que eu já havia feito uma única vez, embora não exatamente idêntica, em tempos idos. Eu queria zigue. Eu queria zague.

E fiz ziguezague. MESMO!
Pode (e deve) parecer maluquice, mas eu sempre me divirto fazendo esses treinos de entra-e-sai de ruas paralelas. E o Jardim Satélite as têm de montão, favorecendo a brincadeira. Desta vez, ao invés de começar pela Avenida Cassiopéia, peguei a rua oblíqua que desemboca na Cidade Jardim. Percorreria em vaivém cada uma das ruas que dão esse nome ao segmento residencial do bairro, com parque, deck, pista de bocha e bela vista para a rodovia que vai para o litoral.

Setor 1
Depois das seis ruazinhas curtas, de pouco mais de 130 metros, cruzaria a via principal, pegaria a Avenida Iguape. E faria novos volteios pelas ruas um pouco maiores, com 400 metros cada, entre a Andrômeda e a Cidade Jardim, fechadas na metade pelo passeio de mesmo nome. Uma delas, a Itambé, com apenas uma das partes e terreno ocupado pela escola Prof. Joaquim Meirelles, velha adversária (e freguesa) nos jogos de voleibol dos anos oitenta, pelo ginásio de esportes e a praça, que tem uma pistinha de 330 metros, onde não correria desta vez, mas ainda vou fazer um treino de giros qualquer dia desses.

Setor 2
Na sequência de ziguezagues do comecinho de 2009, também faria treinos semelhantes em outras partes do bairro, os chamados BNH e Satélite Velho. Ficam para outros dias. É um grande barato. Não há uma única rua em que você não assanhe toda a cachorrada da vizinhança, que late nos quintais como se o mundo estivesse acabando. Onde tem saída de escola, seja ela infantil ou de "aborrescentes", sempre rola um bullying discreto, velado. Hoje em dia, talvez nem tanto. Acho que não sou mais tão engraçado assim correndo. De vez em quando, pinta até um fiu-fiu... O tiozinho, quase 4.2, fica envaidecido. Só não contem isso, por favor, para a D. Janete!

Fiu-fiu o c... aramba!
Concluído o divertido treino-relâmpago, simbora para o Teatro Colinas. A noite não era exatamente de peça, mas de um show musical. A expectativa era boa: a coletânea de músicas compostas e usadas como verdadeiros hinos de resistência e esperança durante os anos de chumbo da ditadura militar já era, por si só, um atrativo. Mas foi ainda mais positivamente surpreendente a belíssima interpretação dada a elas pelo jornalista e apresentador Carlos Abranches, ao lado de sua Banda Livre. "Canções de Protesto" é um espetáculo para ver, relembrar (ou conhecer) e se emocionar. E ainda há duas apresentações, nas próximas quintas-feiras de março. Recomendadíssimo. Valeu a pena até correr um bocadinho menos...

Isso é música, lelek...
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Resumo do treino:







quinta-feira, 14 de março de 2013

Treino 41 - < Censurado > Cover

Há empresas organizadoras que se dedicam a promover eventos esportivos bem estruturados e se preocupam em prestar um serviço condizente com os valores das inscrições que cobram dos participantes. Mas há também, lamentavelmente, quem prefira perder tempo acionando na justiça quem usa um nome, que aliás, sequer deveria lhe pertencer, já que é o do santo do dia (eu é que sou bobinho e não pensei em registrar o de São João, proibindo ou levando royalties de todas as festas juninas do Brasil!). Há quem declare publicamente em entrevistas birrentas que "quer vir, bem, não quer, tem quem queira". Há quem pense que o corredor é só um detalhe... Não poderiam estar mais errados!

Não se deixe tratar assim
Para o mal ou para o bem, no entanto, esse nome é forte e segue sendo associado automaticamente a muita coisa que diz respeito ao nosso esporte. Ninguém se ofereceu para montar o percurso do treino desta quarta-feira, portanto, sobrou para mim novamente a missão... E eu capricharia na encomenda! A pedidos, depois de realizarmos coletivos em todas as regiões da cidade, voltamos excepcionalmente a um dos nossos locais de origem. Não para rodar em sua pista de terra com um quilômetro e uns quebradinhos. Mas para usá-lo como ponto de encontro, estacionamento, bebedouro e início do trajeto de rua. Ave, Vicentina!

Ponto de partida
Dessa vez, a chuva forte de outras quartas à noite deu lugar a uma garoinha fina, que não chegou a atrasar a "largada". Retorno de nomes ausentes das listas de treinos anteriores, tal qual o Aldo e o Fábio Siqueira. Consolidação de reforços importantes para o nosso escrete, como o casal Patty & Mateus e o meu amigo de infância Vinicius. E a visita ilustre da futura esposa do nosso companheiro Luis Carlos, Ivonete, vinda especialmente de Jequié, Bahia. Fotos oficiais devidamente tiradas, galera na pista.


Quase sempre dobramos à direita, sentido centro da cidade, quando chegamos à esquina da Prudente de Moraes com a Avenida São João. Quebrei a rotina dessa vez. Entramos pelo lado oposto, saindo logo em seguida da via principal após passarmos em frente ao inconfundível prédio vermelho, que se avista de vários pontos da cidade. Logo estávamos na descida fortíssima da nossa Avenida Paulista, lateral da escola em que me graduei técnico em informática nos anos oitenta (e onde fiz várias aulas de educação física, subindo e descendo aqueles morrões insanos). Martelo nas patelas!

A Paulista "caipira" e a cantina onde devorei muitos X-tudo
Chegamos à praça que os americanos chamariam de big weed e seguimos à esquerda na Anchieta. O rumo era oeste. O nome da via, também. Se você perguntar onde fica a Avenida Professor Alfredo Fernandes de Almeida em São José dos Campos, provavelmente ninguém vai conhecer. Na melhor das hipóteses, depois que você tentar explicar melhor, vão te dizer "ah, a Via Oeste, né?". Beleza de retão para uma corridinha.

Go west!
Mais uma quebra de tradição. Quase todas as vezes, chegamos ao final da nova avenida e dobramos à esquerda, nas eternas obras da futura arena municipal de esportes. Passamos reto desta feita, só pra contrariar. E inserir no caminho uma subidinha curta, mas esplendorosa (com o perdão do trocadilho local). Teve gente andando nela... E não fui eu!

Um grand splendor
Fomos alcançados pelo Giovani e o Rafael, que chegaram atrasados. Passamos pelo estacionamento da J&J, pela avenida da ferradura, pela marginal da Dutra e, a partir daí, o percurso, até então cheio de reviravoltas, viraria um retão só até o final, de volta ao parque de onde saíramos, oito quilômetros antes. O bloco, compacto, tinha a mim, Aldo, Tonico, Paulo, Toninho e Vinicius. Coisa rara. Normalmente, são duplas ou trios, no máximo quartetos. Rasgamos a Cassiano Ricardo, sem direito a escala no boteco de luxo recentemente inaugurado nela... Senão, ia ficar complicado subir a São João depois!

Terra de obreiro e de bardo
E veio ela, a nossa brigadeirinho. Quando treinei pela primeira vez, em 2005, para aquela cujo nome não se pronuncia, subi muitas vezes aqueles quatrocentos e cinquenta metros, de um posto de combustível ao outro. Na verdade, ela começa bem antes, ainda na descida. Cruza a Jorge Zarur, mais conhecida como Vidoca. E aí sim vira a subida não tão longa, não tão íngreme, mas um pouco de cada coisa. E que faz muito corredor marmanjão chamar a mamãe. Colei na mureta central e fui. A passos curtíssimos, mas sem andar.

São João disse que não, São João disse que não...
Perdi tempo no semáforo do final da pirambeira e contato com os companheiros Aldo e Paulo, que embalaram e eu não mais alcançaria até o Vicentina. Ainda assim, faria nos últimos seiscentos e poucos metros, pós-rampa, a melhor média de ritmo do dia, bons 5'18''. Mais rápido (ou menos lento) até que nas descidas.

Eis o caminho
Tropa re-reunida, com os que já haviam completado e os que foram chegando logo depois. Gente chiando, xingando a senhora minha mãe, pela supostamente cruel escolha do percurso. Só mise-en-scène. Eu sei que eles adoram. Ninguém veio obrigado, que eu saiba. E semana que vem, certamente estarão (quase) todos de novo por aí... No máximo, escolhendo outro "arquiteto" para o itinerário.

Dê o seu voto
Belo treino... E olha, nem custou R$ 120!!!

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Resumo do treino:








quarta-feira, 13 de março de 2013

Treino 40 - A desobediência (mas nem tanto) civil

Até pelo fato de ter corrido no domingo durante menos tempo (e quilômetros) que o planejado, cogitei trocar a folga prevista na planilha por um trotezinho à toa na segunda-feira à noite. Disposto o suficiente para isso, estava. Com dores musculares remanescentes dos quase 32 km da véspera, não. Ainda assim, pensei bem e optei pelo day off. Como diriam meus amigos juristas, in dubio pro reo.

E a gente respeita
Quando montei este roteiro de treinos, achei que ficaria cansado mesmo depois do longão-mór de cada microciclo. Além do óbvio descanso no dia posterior, reservei também uma sessão de musculação apenas para a parte superior na terça-feira. Pode até contrariar a vontade, mas faz prevalecer a cautela e o bom senso. E, em relação a eles, melhor sobrar do que faltar...

Até 1002, eu diria
Mas uma concessãozinha, de vez em quando e feita com critério, não faz mal. Pelo contrário. Minha amiga e corredora-revelação (já fez, e com muito sucesso, as 24 horas que eu tanto almejo) Odila Noronha, citaria ontem em seu mural no Facebook o über-ultramaratonista Dean Karnazes, em sua obra-prima e façanha "50 Maratonas em 50 Dias":

"A chave para manter forte e por longo prazo a paixão pela corrida é assegurar que ela permaneça uma viagem e nunca uma rotina"

Bem por aí... Se sigo, quase dez anos depois de arriscar aquela primeira corridinha na Área Verde, tão apaixonado pelo esporte quanto aquele principiante da década de zero-zero, é porque faço dele uma legítima viagem... Quase um passeio de montanha-russa: cheio de loopings, quedas livres, subidas a milhão, volteios e serpenteares.

Adrenalinalizante
Assim, se me dá na telha que devo fazer junto com a série de musculação uma meia horinha de esteira, simplesmente vou lá e faço. Não amarro meu hobby a regras rígidas, não tenho correntes. Mas também, como filosofia de vida e não apenas no esporte, sou experimentalista. Quando sinto que tomei uma decisão errada, não tenho o menor pudor em reconhecer e voltar atrás.

Um lema
Tudo isso apenas para dizer que o treino #40 dessa preparação foi o menor de todos até agora. Fiz apenas 1,73 km em 10' no brinquedo do hamster, treinei forte por uma hora e meia nos pesos e aparelhos, poupando apenas as pernas. Sentindo que não estava tão bem quanto imaginava e vendo as esteiras da academia ocupadas por caminhantes (nada contra eles, já fui um, inclusive; mas que dá uma sensação de ô, desperdício, isso dá!), optei por encerrar as atividades do dia com mais dez minutinhos no elíptico.

E assim, ouvindo sempre o meu corpo, eu vou levando a vida... E os treinos!


terça-feira, 12 de março de 2013

Sou corredor



Sou corredor. Tenho o privilégio de ver o sol nascer todo domingo e, francamente, acho que ele é o mais belo de toda a semana. Posso contemplá-lo sem pressa, com ruas quase vazias, sem aquela gente estressada e maluca, no mau sentido, dos outros dias todos. Poderia, e talvez até devesse, usar esse dia para descansar o corpo, mas prefiro zerar a mente. Não estou só. Somos muitos os zumbis insones, logo nas primeiras horas da madrugada. Falamos, quase sempre sem parar, sobre um só assunto, coisa que ninguém mais, de passagem ou ao redor, entende. Ficamos horas a fio esperando, muitas vezes para corrermos durante apenas alguns minutos. Viajamos centenas de quilômetros, mesmo que seja para percorrermos uma dezena deles ou menos. Não nos peça explicação. Não nos cobre coerência. Somos aqueles que não compram sapatos há anos, mas nosso estoque de pares de tênis é de fazer inveja às centopeias. Somos discretos no dia-a-dia, mas berrantes e chamativos enquanto estamos em ação. Gritamos, vibramos, choramos, damos socos no ar, pelo bem ou pelo mal. Comemoramos, mesmo que outros achem medíocres os nossos feitos. Congratulamos quem chega à nossa frente, mas aplaudimos também quem vem depois de nós. Nem sempre conseguimos aquilo que queremos; e algumas vezes prometemos que nunca mais vamos voltar. Mas sabemos que isso dura pouco... Só até o próximo sol nascente de domingo.

Fábio Namiuti

segunda-feira, 11 de março de 2013

Treino 39 - De repente, 32

Outrora havia aqui, nessa velha e puída carcaça, um corredor de longas distâncias. Mas a segunda metade do ano que passou e a preguiça que eu ostentei durante toda ela se encarregaram de enfraquecê-lo, até quase definhar. Não se desaprende de todo como correr por horas a fio... Mas que se desacostuma, ah, desacostuma!


A luta, agora, tem sido para reencontrar o fio da meada. Resgatar aquele cara casca grossa que já foi capaz de cruzar sete linhas de chegada oficiais de 42 km. E até mesmo percorrer essa mesma distância em um treino solitário, encomendado para substituir a Maratona de Curitiba que não pude fazer em 2011. Achar novamente o caminho que me leve até onde já cheguei antes; para de lá poder seguir adiante e alcançar meus novos objetivos no esporte. Fácil não é. E eu nem gostaria que fosse. E nem valeria a pena ser contado.

Minha maratona pessoal 
Não são receitas de bolo ou fórmulas prontas que vão me fazer chegar lá. Se montei uma planilha de treinos para a prova-alvo que me propus a enfrentar, foi mais para ter um referencial do que para seguir rigorosamente, como se fosse um Código de Hamurabi. Reconheço a grande dificuldade que estou tendo para seguir as recomendações prescritas. Venho treinando com regularidade e disciplina, mas estou bem longe de onde pretendia estar nesse momento da preparação, finalizando a décima semana, sexta de ciclo específico após o período de base.

Se alguém soubesse, não usava para ganhar?
O treino desse domingo era o segundo no esquema do corre-pára-anda-corre de novo, como o que fiz em fevereiro, em pleno carnaval. Se aquele tinha quatro horas (mas acabou durando pouco mais de três, na prática), este deveria acontecer durante um período de seis. Fui flexível. Como a data coincidia também com a de outro evento previsto, o churrastreino promovido pelo amigo e companheiro de equipe Giovani, acabei resistindo ao impulso de sair por aí sozinho às seis da manhã.

Difícil resistir aos treinos (e comilanças) da malucada do asfalto
Combinei então com o veterano amigo Toninho, que raramente diz não a um convite. E juntos saímos às 6:30 da matina, rumo ao encontro com os amigos, que pretendiam começar a jornada de até 27,7 km a partir das sete. Rodaríamos cerca de 4,5 km do Jardim Satélite ao Bosque dos Ipês, local da "largada", com direito a uma bela pirambeira na rua do antigo clube da Kanebo. Mas acabaríamos perdendo o aquecimento, com os quarenta minutos que ficamos esperando por lá, até a chegada dos últimos participantes.

Custou a sair essa foto oficial pré-treino
Seguimos então, já em comboio, o caminho para a cidade vizinha de Jacareí, palco de dois treinos anteriores deste ciclo de preparação. Até a divisa dos municípios, eu já conhecia muito bem o terreno. Depois da guinada à esquerda na Estrada do Rio Comprido, entretanto, só mesmo pelas fotos do  Google Street View. Tudo seria novidade. Chão de terra, um bocadinho de lama, mas nada comparável à da semana anterior no Horto. Subidas idem: fortes, mas nada tão íngreme quanto as que enfrentamos no final de semana anterior. O grupo, que logo se espalhou, deixou meu bloco restrito às companhias de Toninho e Silvio Lima. Levamos um belo susto com o cachorrão que atravessou a cerca e partiu para cima da gente... Sorte que ele estava bem preso por uma corda!

Caminho das pedras
Com o pit stop forçado do cara das selvas (dessa vez a parceria foi curta!), restamos eu e o professor. Edson, que também poderia fazer parte do esquadrão, estava novamente mais arisco e sumiu no horizonte. Tonico e Aldo, outros parceiros habituais, dessa vez nem apareceram. Como nas estradas rurais da zona norte, essa também tinha suas muitas vias laterais, mas era bem mais difícil de se perder nela. Mantivemos o rumo na pista principal, aproveitando o conhecimento que o Toninho tinha do roteiro.

Dobramos à direita na bem sinalizada bifurcação e encaramos uma longa e forte descida até o reencontro com a "civilização". No posto de combustível do bairro Santo Antônio da Boa Vista, aproveitamos para completar os squeezes e pedir informações (e nem era Ipiranga!). Elias e Tiago seguiriam reto, pegando um trechinho da estrada para a cidade de Santa Branca. Eu e Toninho retornamos pelo mesmo caminho da ida, sugestão dos frentistas. A rampa abaixo virou acima e exigiu bastante dos motores. A temperatura subia em proporções generosas e começava a complicar a vida da corredorzada.

Um breve reencontro com a pavimentação
O caminho de volta à cidade de origem começou assim, em aclive acentuado pela Estrada do Varadouro, até o encontro com a rodovia Carvalho Pinto. Passamos por debaixo dela, serpenteamos um pouco, voltamos novamente para o outro lado. E fomos seguindo paralelamente à pista, em direção ao bairro Interlagos. Para animar o companheiro, que vinha de uma semana animal de treinos (20 km na segunda, 11 na quarta e 26 na sexta), sugeri uma parada para um isotônico no mercadinho... O problema é que o tal mercadinho não chegava NUNCA!

Do Carvalho
Quando finalmente apontamos na entrada do bairro, já apelando algumas vezes para a caminhada, fomos abordados pelo companheiro de equipe Elias, morador do local, que retornava para nos "resgatar". Ao invés do mercado, ele sugeriu uma escala em sua casa. Renascemos das cinzas com a generosa oferta de água geladinha e frutas (banana e tangerina). Difícil foi sair dali. Tiago parecia querer esperar o almoço.

Encarar as megarrampas que ligam o Interlagos ao Bosque dos Eucaliptos, depois de termos quase secado a caixa d'água da casa do amigo é que foi osso duro. No alto do último morro, novo posto de hidratação, este montado pelos camaradas que já haviam concluído seus percursos menos longos, com 8, 10, 20 ou 23 km. Caiu muito bem também. Estar em um grupo de amigos onde uns se preocupam com os outros faz toda a diferença.

A marca da solidariedade
Tiago e Elias voltaram direto para o Bosque dos Ipês. Toninho deu uma parada no posto para retomar o fôlego. Sozinho, dobrei à direita, desci o morro e cheguei à avenida onde moro. Correria os últimos cinco quilômetros nela por minha conta própria. Trotando um pouquinho, andando outro tanto. Mas, quando corri, fiz algumas das melhores parciais de todo o treino, abaixo dos 6 x 1, parecidas até com as do começo dele. Cansado pra caramba. Mas feliz toda vida por voltar a ser capaz de rodar 32 km, como há muito tempo não era. Poderia e deveria ter sido mais. Somando tudo, quatro horas e meia, longe, bem longe das seis horas previstas... Eu ainda chego lá. E vou além.

Chão à beça

Finalizada a minha participação, parei em casa para um banho e apanhar a família. E voltamos à cena do crime para a segunda parte da diversão. Fomos recebidos pelo casal Giovani e Simone em sua casa, para um animado e caprichadíssimo churrasco de confraternização. Pena que alguns participantes do treino já haviam ido embora e integrantes da equipe, envolvidos em outras atividades no dia, acabaram nem comparecendo. Nem por isso a alegria foi menor, no entanto. O importante é que estejamos juntos sempre que possível, seja nas pistas ou nas festas. Nas batalhas da vida e do esporte.

Um viva para os churrasqueiros!
A preparação ainda não embalou. Mas vai embalar. Farei tudo o que puder para isso.

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Resumo do treino:








sábado, 9 de março de 2013

Treino 38 - It's complicated

E bota compliquêiti nisso. Foi um dia daqueles essa sexta-feira. Compromissos profissionais (é, eu também tenho) de monte, problemas idem. Uma chuva ainda pior que a do treino de quarta-feira à noite, em pleno horário de batente. O trânsito, que já é ruim com tempo seco, ainda mais caótico. O dia internacional da mulher (parabéns a todas, principalmente às que fazem parte da minha vida; e também àquelas que, apesar de tudo, ainda arranjam um tempinho para correr), para mim, foi quase todo em clima de TPM.

Requentada, mas homenagem
Correr, definitivamente, não acaba com os meus problemas. Quando chego do treino ou da prova, lá estão eles, exatamente no mesmo lugar. Mas, sempre que corro, volto mais forte e sereno para enfrentá-los. Tudo o que parece tão complicado antes, muitas vezes durante e depois de uma corridinha, por menor que ela seja, tende a ficar um pouco mais simples. E isso é bom demais. É o que me basta. A partir daí, deixa comigo...



Não seria diferente nesse dia marrento. Tinha na planilha um treininho pró-forma, quase banal, com apenas quarenta minutos de duração. Não um regenerativo de segunda-feira, mas como se fosse. Poupando as canelas para o grande desafio de domingo; o mais longo dos treinos do ano, até o momento. Quando saí de casa, bem perto das sete da noite (sozinho, costumo começar às seis, mas chuva e trabalho não deixaram), entretanto, já sabia bem que não iria ficar só nisso. Precisava de um pouco mais de tempo só para mim. Tem gente que medita. Tem gente que pesca. Tem gente que faz um monte de outras coisas. Eu corro.

Adoro treinar com os amigos. Mas há também aqueles momentos de introspecção simplesmente fundamentais
Saí meio sem rumo por aí. O final do horário de verão, apesar de tornar o clima bem mais ameno e agradável para quem corre no final da tarde, começo da noite, limita um pouco as doideiras. Não dá mais para ir para qualquer lugar, como num dia claro. Peguei então o caminho para a região central da cidade, passando pela Avenida Mario Covas, marginal da Dutra e Francisco José Longo, depois de cruzar a passarela da Bandeirantes (antiga concessionária que nem existe mais, já virou igreja e loja de material para construção, mas ainda não perdeu o "nome").

Baby Consuelo
Fiz uma rápida escala para reabastecimento no Parque Santos Dumont, que já foi nos primórdios um dos meus locais mais habituais de treinamento e serviu, até algum tempo atrás, como ponto fixo de encontro para os treinos da malucada do asfalto, mas tem sido bem pouco visitado atualmente. Gostei do velho laguinho dos patos enfim reformado, com fontes lembrando um Ibirapuera ou uma Pampulha em (micro)miniatura. Não cheguei a completar o giro na pista de 678 metros. Deixei o parque pela outra portaria lateral e segui meu caminho.

Do pai da aviação
Ziguezagueei pelo velho (e não muito bem frequentado, principalmente àquele horário) centro da cidade. Passei pela Praça Afonso Pena e Rua XV de Novembro, segui pela Siqueira Campos, onde morei na infância (ih, faz tempo!) até a vizinha Vila Maria. Voltei pela longa Conselheiro Rodrigues Alves, subi a íngreme Coronel Moraes, percorri as ruas Francisco Paes e Vilaça e as avenidas João Guilhermino e Nelson D'Ávila. Fui concluir meu passeio noturno já no final da Rua Paraibuna, perto do famoso CTA (não consigo pronunciar o tal "D" que colocaram antes do nome dele).

D mudo
Já havia corrido pouco mais de 12 km em cerca de 1h10min e até poderia, se tivesse um pouquinho mais de pique, rodar os aproximadamente quatro que faltavam para regressar ao ponto de partida. Mas já estava plenamente satisfeito. Mente zerada. Era como se nada tivesse acontecido durante o dia todo. Meia hora além do previsto no cronograma, o suficiente para chegar em casa com aquela sensação de agora sim, que só quem corre sabe como é (apesar de ter ficado uns vinte minutos parado no ponto, esperando o busão passar). E sem sobrecarregar a carcaça para a encrenca master do domingão.

Mais riscos no mapa
Descanso total e absoluto nesse sábado, porque eu também mereço (de vez em quando). Amanhã, domingo, é dia de correr pra valer!

Qual era o problema mesmo?

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Resumo do treino:






sexta-feira, 8 de março de 2013

Treino 37 - Citius, Altius, Fortius

Mais forte, certamente. Mais alto, em nenhum dos sentidos possíveis (vida de baixinho é triste!). Mais rápido, talvez nem tanto, mas cada vez mais resistente, que é o que realmente importa para a modalidade de corrida que, mais que escolhida por mim, talvez tenha me escolhido: a das longas distâncias. E eu também acrescentaria ao célebre mote olímpico latino um "cascutius". Mais cascudo. Ainda.

Que nem esses aí...
Não há um caminho único para isso, como para quase nada nessa vida. O meu (que não sei se é o certo, mas é o meu) é o da musculação, como já mencionei em postagem anterior neste blog. Como o de alguns é o treinamento funcional, o yoga, o pilates, o pedal, a natação, os tiros em rampa, o balé clássico (já pensou?). Cada um com seus defensores ferrenhos e inimigos figadais, prós e contras, benefícios e controvérsias.

Como também já disse antes, nessa complexa (e empírica) preparação para meu próximo grande objetivo, o das 24 horas na pista, tenho procurado variar bastante meus métodos de cross training. Ao invés de ficar sempre na mesma série, só de força ou só de resistência, trabalhar alternadamente essas valências físicas. Confundindo sempre os colegas de academia, ora puxando quase tanto peso quanto os marombas, ora usando cotonetes no lugar dos halteres e moedas de iene ao invés de anilhas, mas repetindo até quase perder a conta.

De tudo um pouco
Seguindo o rodízio, esta quinta-feira foi dia novamente de circuito. Um dos treinos de que mais gosto na academia. Talvez porque me permita, fazendo uma única repetição de cada aparelho (depois refaço todos os exercícios novamente), colocar uma carga maior do que estou habituado. Dá gosto ver a evolução, zerar máquinas ou chegar perto disso. Mas certamente porque também inclui, no início, ao final e entre as duas metades iguais da série, um trabalho aeróbico. E acaba dando a chance de somar mais alguns kmzinhos à planilha semanal.

Não que eu morra de amores, mas fico mais feliz nela que em qualquer outro aparelho da academia
Com uma parte dos aparelhos em manutenção (xô, zica!) e apenas uma esteira atualmente disponível para correr, quase mudei de planos e fiz os trinta minutos previstos de forma contínua. Teria sido melhor, aliás. Nos primeiros e nos segundos 10', até consegui usá-la, correndo 1,2 milhas (faz anos que o painel está na unidade gringa e ninguém sabe mudar!) de cada vez. Mas na última sessão, ao final do treino, havia uma moça usando o brinquedo para fazer caminhada. Faltou paciência para esperar. Fui para o elíptico. A galera olha meio enviesado para mim (ou qualquer outro galalau que se aventure nele), mas eu acho interessante o danado... Queria até ter um em casa! Faz a gente suar à beça, trabalha bastante a musculatura. E impacto zero nas articulações.

Bem que eu poderia transportar mais
Acabou sendo um treino bem curtinho: uma hora e meia no total, vinte minutos ou 3,8 km correndo. Mas produtivo. Dando sequência a uma semana que deve culminar, no domingo, com o meu recorde de quilometragem do ano, individual em um treino e na soma das sessões semanais. Será que agora embala de vez?