Mas,
peraê, existe também jogo-treino... E jogar sem preocupação com o "placar", só mesmo para aproveitar o dia e a oportunidade, costuma ser bem divertido.
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Sempre achou bonitinha a frase, mas nunca colocou em prática? Corra... |
Quando dois desafios de grandes proporções cismam de acontecer em dois finais de semanas seguidos, o jeito é abrir mão de um deles, certo? Depende... Eu também já pensei desta forma e perdi muita coisa bacana por questões de calendário (ou excesso de zelo, para quem preferir). Mas não precisa ser assim, a ferro e fogo. O que me impede de focar em uma das missões e usar a outra apenas como parte da preparação?
Ok, ok, a distância é longa? Corro menos,
ué! Com bom senso e parcimônia, dá para aproveitar de tudo um pouco.
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Na maioria das situações |
Nos últimos anos, havia ficado de fora desta prova, uma das que mais gosto e que tem um significado muito importante em minha história como corredor. A ponto de ser personagem principal de dois capítulos do meu livro, que versam sobre dias ruins e voltas por cima. A coincidência das datas em 2011 e 2012 haviam me impedido de tentar uma terceira participação, um
tira-teima. Quando soube que, em 2013, o Desafio Ecológico de Pindamonhangaba fora marcado para apenas uma semana antes da Maratona de Lisboa, logo pensei:
pronto, tô fora de novo... Só que não!
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Não desta vez |
A saída mais óbvia seria correr a sua versão participativa. Dos 31 km, com direito a um verdadeiro trecho de serra, de fazer motor 1.0 subir
chorando, sempre houve a possibilidade de pegar o ônibus fornecido pela organização e ir até a metade do caminho. E só aí voltar correndo. Oficialmente, trata-se da competição feminina (embora, claro, haja mulheres que corram a distância completa com um pé nas costas!). Mas
marmanjões também podem participar dela, sem número de peito e cientes de que não estão concorrendo a troféus.
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Desafiador em qualquer distância |
Mas a minha cautela seria ainda maior. Conhecedor, e dos bons, do tamanho da encrenca, mesmo que só na volta, optaria por uma participação especial, especial
mesmo.
A la carte, diria até. Poderia optar por não me inscrever e fazer simplesmente um treininho
solo de distância livre por ali. Mas preferi contribuir com a causa beneficente e me sentir no direito de usufruir da estrutura do evento. E que bela estrutura! Até café da manhã, com bolo de chocolate e tudo, teve. Maurício, organizador e amigo, é mesmo um cara caprichoso. Aprendemos sempre muito com ele.
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Simplicidade, mas atenção e respeito para com o participante |
Choveu, parou, teve gente chegando em cima (e até depois!) da hora para fazer inscrição. Com isso, o atraso seria inevitável. Mas essa meia horinha a mais não atrapalharia em nada. Convencendo alguns amigos a me acompanharem na empreitada do treino livre no meio da prova (sobretudo a dupla Toninho & Tonico, também na reta final da preparação para uma maratona, a de São Paulo), larguei em ritmo pra lá de suave. Ficando, claro, bem na rabeira da tropa, entre os últimos colocados.
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E viva a turma do fundão! |
Teria, durante todo o percurso, a companhia do Celio, corredor recente, mas já com boas histórias para contar. Inclusive algumas parecidas com as minhas, a do resgate da saúde, do combate à obesidade e hipertensão arterial através da atividade física. Seria um prazer acompanhá-lo em sua primeira corrida um pouco mais longa, bater um longo e bom papo. Chegamos tão rapidamente e com tanta tranquilidade (nada como um belo dia nublado para correr!) à marca dos oito quilômetros, que deu até dor no coração bater e voltar. Mas era preciso.
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Esse é dos nossos! |
Enfrentando as muitas oscilações do caminho, dos dois lados da Rodovia Presidente Dutra, mas fugindo propositalmente da serra de Lagoinha, faríamos os quase dezesseis quilômetros em pouco mais de uma hora e meia. Ritmo tranquilo, de 5'50''/km. Não portava a faixa peitoral, mas estivesse monitorando os batimentos cardíacos, acho que veria um gráfico quase sem picos. Acho que nunca fiz essa distância de forma tão tranquila. Seria um treino mais que inspirador, sete dias apenas da minha grande meta do semestre. Se eu conseguir fazer algo parecido, voltarei de Portugal sorrindo de orelha a orelha... Mas não vou me cobrar absolutamente nada!
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As Viagens de Gulliver? |
Os dois Antonios, mais ariscos que nós desde o começo, mas que fariam caminhadas na ida e na volta para nos aguardar, facilitaram... E, quase na reta final, deixaram que eu tomasse a frente do pequeno pelotão. Claro que foi só uma brincadeira, muito das bobas, por sinal... Mas, para quem já experimentara a sensação ruim de ser o último colocado (entre apenas 33 participantes) nessa mesma prova em 2008, ser o "primeiro" a terminá-la, teria um gostinho especial. Cheguei até tirando onda, fazendo aviãozinho, correndo em ziguezague. Soltei o número de peito e fiz questão de avisar, como já havia feito antes da largada, que aquele nosso quarteto não estava concorrendo a nada. Mas me diverti à beça com mais uma dessas ironias da vida e do esporte.
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Um dia junto da ambulância. Outro, antes dos batedores |
Peguei
sim a minha medalha, porque para mim, ela pode ter vários significados, inclusive o da participação apenas. Juntei os amigos e tirei foto
engraçadinha no pódio, enquanto seus verdadeiros ocupantes por direito não chegavam. Aplaudi e fotografei as chegadas dos amigos, tanto os que apenas voltaram (e já fizeram muito!) quanto os que venceram o caminho completo. Felicitações especiais aos que representaram a 100 Juízo no pódio, Natanael, Rafael, Elias e Aldo. Tomei picolé, comi cachorro-quente, dei muita risada, coloquei a conversa em dia com velhos amigos, fiz novos. Tive mais uma memorável manhã esportiva, enfim. Sem exagerar na dose e nem comprometer a minha meta do domingo seguinte.
Agora é descansar, fazer as malas, acertar os últimos detalhes, encarar o treininho de
bota-fora na quarta-feira e
pegar a estrada. Que venham os 42 km de Cascais a Lisboa!
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Vai ser sensacional |